A Publicidade e o novo “tom” do machismo

//A Publicidade e o novo “tom” do machismo

A Publicidade e o novo “tom” do machismo

Cada vez mais a mulher vem ganhando um novo espaço na publicidade. Com isso os debates sobre o machismo na propaganda se tornam mais frequentes. O Luiz Santos comentou sobre isso no jornal O Povo. Confira:

A criação publicitária, historicamente, sempre esteve do lado da empresa e dos governos, principalmente nos materiais que reproduziam valores. Portanto, a ideologia dominante era abertamente preconceituosa. Jogava para escanteio qualquer possibilidade de se ficar do lado dos mais fracos, das minorias. E, em especial, de uma maioria massacrada diariamente: a mulher.

Nas agências, principalmente no setor de criação, sempre existiu um percentual bem maior de homens do que de mulheres. Resultado? O material criado por eles sempre traz uma pontinha do “macho”. Peças criadas por machistas disfarçados que aproveitam cada propaganda veiculada para dar vazão a pensamentos ocultos – por que não dizer uma manifestação do alter ego?

Mas, como todo publicitário precisa trabalhar e ter público para consumir, continuar irritando o consumidor com frases ou até “piadinhas” com machismo fez com que as propagandas brasileiras começassem a ganhar um novo “tom”.

E de verdade, o que vem provocando essas mudanças? Pressão dos consumidores daqueles produtos específicos, ponto.

Em Fortaleza, uma amiga encostou o namorado na parede e disse que não tomaria mais aquela cerveja que saiu com uns cartazes bem grosseiros. E nem ele, sob pena de acabar o namoro. Exemplos assim, boicotes ao consumo, têm provocado reações das empresas. Esse verão foi especial, com as cervejas dando show de criatividade, civilidade e apoio à mulher.

O que vem segurando essas mudanças? Fiquei sabendo, por meio de grupos que se envolveram com essa briga, que nas agências que atendem cervejas não consta em briefing que as vendas aumentam na mesma proporção em que aumentam a quantidade e o tamanho de peitos e bundas.

Apenas criativos, talentosos e incultos se divertiam reproduzindo seus próprios valores nos roteiros dos comerciais.

Enfim parece que começa a prevalecer a opinião do consumidor e a antena de planners e criativos que se colocam do lado de quem realmente garante o lucro das empresas. Tempos melhores, com certeza.

2018-11-08T20:14:00+00:00

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